Que mundo é este em que o Presidente dos Estados Unidos ameaça destruir numa noite uma civilização inteira? O que aconteceu em torno do Irão evidencia uma ordem internacional em que a imprevisibilidade substitui a estratégia e decisões com impacto global são tomadas ao ritmo de impulsos.
Esta instabilidade não fica à porta da Europa. Cruza-se com interesses e alianças que a pressionam por dentro. A relação entre Viktor Orbán e Vladimir Putin, combinada com o apoio político vindo do espaço trumpista, revela uma rede de influência que fragiliza instituições e contamina o debate democrático. A Europa não se pode limitar a assistir. Se aceita esta normalização, arrisca-se a descobrir tarde que o caos também se instala por dentro. E então a pergunta deixará de ser retórica. Que tempos são estes? Serão os tempos que deixámos que nos impusessem.
É positiva a visita do Vice-Presidente da Comissão Europeia, Rafaelle Fito, à Região, esta semana para debater a próxima Estratégia da União Europeia para as Regiões Ultraperiférica e para se inteirar do desenvolvimento de projetos que contam com financiamento comunitário. Lamentavelmente, e seguindo uma prática em que confunde o Governo dos Açores com uma extensão da sua sede partidária, o Presidente do Governo entendeu apenas convidar o eurodeputado do PSD para acompanhar a visita, confundindo, assim, e mais uma vez, o plano político institucional com o plano político partidário. Mais um mau exemplo de sectarismo.
Temos mantido um diálogo próximo e construtivo em Bruxelas com o Vice Presidente Fitto. Ainda há pouco tempo, tivemos oportunidade de, conjuntamente com o líder do PS/Açores, Francisco César, reunir para abordar os principais dossiers que relevam para os Açores. É fundamental que a nova Estratégia para as Regiões Ultraperiféricas esteja alinhada com a realidade de cada uma das RUP, possa potenciar as suas singularidades, mas seja também suportada por um pacote financeiro e medidas robustas. Infelizmente, na proposta original da Comissão, para o próximo Orçamento comunitário essas medidas são claramente insuficientes, daí a necessidade de todos trabalharmos para melhorar o conhecimento sobre a nossa realidade.
É também com esse objetivo que, na próxima semana, a Representante da Comissão Europeia em Portugal, Embaixadora Sofia de Sousa, se desloca, a meu convite, às Flores e ao Corvo, para aprofundar este trabalho com as entidades locais.
Também na próxima semana se esperam desenvolvimentos positivos sobre a defesa de um envelope mais robusto para o POSEI. O trabalho que temos vindo a desenvolver, no quadro do grupo socialista e com a liderança da eurodeputada Carla Tavares como co-relatora, é decisivo para garantir um setor agrícola forte nas RUP e um orçamento mais justo, atualizado e capaz de assegurar a soberania alimentar. Enquanto uns preferem atirar falsas culpas (e perdem-se em sectarismos imaturos), do nosso lado temos estado, a par e passo e em cada relatório que conta, a lutar por um aumento de verbas que reponha a justiça, atualize os valores e permita a atuais e futuros agricultores das RUP continuarem a contribuir para a alimentação e soberania alimentar da UE.
Ao mesmo tempo, não descuramos os outros dossiers que estão em processo legislativo e que podem ajudar a ter um melhor orçamento comunitário para 2028-2036 para os Açores, trabalhando com os investigadores regionais no Programa Horizonte Europa, com a Conferência dos Presidentes das RUP nos transportes, ou mesmo, nas Pescas e Assuntos Marítimos com o meu próprio relatório a ser debatido também na próxima semana na Comissão das Pescas.
Deputado do PS/Açores no Parlamento Europeu